Metodologia e limitações
O Registro de Acidentes reúne ocorrências com produtos perigosos e poluentes no Brasil de fontes oficiais e de imprensa verificada. Esta página explica de onde vêm os dados, o que eles dizem e — igualmente importante para quem faz análise de risco — o que eles não dizem.
Fontes
Cada ocorrência publicada tem ao menos uma fonte rastreável. As bases atuais:
- CETESB (SP) — Sistema de Informações sobre Emergências Químicas, atendimentos da CETESB no estado de São Paulo desde 1978. É a série mais longa e a maior parte do acervo.
- ANTT (nacional) — Relatório de Acompanhamento de Acidentes Ferroviários, acidentes ferroviários com carga perigosa em todo o país, desde 2004.
- FEPAM (RS) — relação de acidentes de transporte de produtos perigosos atendidos pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul.
- Imprensa verificada — uma varredura semanal automatizada coleta notícias de acidentes da semana anterior; cada item é conferido na matéria original antes de entrar.
Cobertura não é uniforme pelo país
A distribuição por estado reflete quais órgãos publicam dados, não onde os acidentes acontecem. São Paulo concentra a maior parte do acervo porque a CETESB mantém, há décadas, o sistema de registro mais completo do país — não porque São Paulo tenha proporcionalmente mais acidentes. Estados sem um órgão que publique ocorrências de forma estruturada aparecem sub-representados, ainda que tenham eventos. Leia a densidade do mapa como densidade de registro, não de risco.
Vítimas raramente são quantificadas
A maioria das fontes não informa o número de vítimas de forma discriminada. A CETESB publica um total agregado (vítimas e evacuados juntos, sem separar fatais de feridos); a ANTT traz óbitos e feridos separados; as notícias variam. Por isso os campos de vítimas ficam vazios na maior parte dos registros — e ausência de número não significa ausência de vítimas. Nunca some ou compare vítimas entre fontes como se o dado fosse homogêneo.
“Mais graves” é severidade aparente, não gravidade medida
O filtro “só mais graves” seleciona ocorrências de incêndio, explosão ou com alguma vítima informada. É uma aproximação pela natureza do evento, porque os campos que mediriam gravidade real (vítimas, volume liberado, área evacuada) quase nunca vêm preenchidos. Um vazamento grande sem esses números não aparece no filtro, embora possa ter sido grave. Use-o para destacar eventos de severidade evidente, não como uma classificação oficial de gravidade.
O ponto no mapa é o centro do município
As fontes informam a cidade, não a coordenada exata do acidente. O ponto no mapa é o centroide do município (dados do IBGE), exibido menor e translúcido para deixar claro que é aproximado. Serve para ver distribuição regional, não para localizar o ponto exato de um evento.
Nomes de empresas não são divulgados
Quando a fonte identifica a empresa ou o operador, esse nome fica registrado internamente para fins de curadoria, mas nunca aparece no site — nem no resumo, nem em nenhum campo público. O foco é o evento e o produto, não a atribuição de responsabilidade.
Duplicatas e revisão
Registros parecidos (mesmo município, mesmo produto, datas próximas) podem ser o mesmo evento relatado por fontes diferentes, ou eventos distintos. O sistema sinaliza possíveis duplicatas para revisão humana antes de publicar. Nada com dado ambíguo ou fonte não verificada entra automaticamente.
Em resumo, para quem analisa risco
Esta base é forte para entender padrões — que produtos, que modais, que tipos de evento, ao longo do tempo. É fraca para contagens absolutas de vítimas ou comparações entre estados, por causa da heterogeneidade das fontes. Trate-a como um retrato do que foi registrado, com as ressalvas acima.