Produtos Perigosos — HAZMATProdutosPerigososHAZMAT
Referência

Glossário técnico

As fichas de produto químico falam por siglas, e quase todas medem a mesma coisa de jeitos diferentes. Um número menor de DL50 significa produto mais tóxico; um valor maior de taxa de evaporação significa evaporação mais lenta. Este glossário existe para que ninguém leia ao contrário.

Exposição humana e limites

IPVSImediatamente Perigoso à Vida ou à Saúde
Concentração máxima de uma substância no ar da qual um trabalhador saudável ainda consegue escapar em até 30 minutos sem morrer e sem dano irreversível à saúde. Equivale ao IDLH americano. É limite de escape, não de trabalho: acima dele só se entra com ar mandado ou autônomo.
LTLimite de Tolerância (Brasil)
Concentração de agente químico no ambiente de trabalho sob a qual a maioria dos trabalhadores pode ficar exposta, dia após dia, sem efeito adverso à saúde. No Brasil os valores são da NR-15 e se referem a jornada de 8 h/dia e 48 h/semana — a referência americana usa 40 h/semana, e por isso os números não são intercambiáveis.
Valor TetoValor Teto (LT-C / TLV-C)
Concentração que não pode ser ultrapassada em nenhum momento da jornada — nem por instantes. Diferente da média ponderada, não admite compensação por período de menor exposição.
TLV-TWALimite de Exposição — Média Ponderada pelo Tempo
Concentração média ponderada para jornada de 8 h/dia e 40 h/semana à qual a maioria dos trabalhadores pode se expor repetidamente sem efeito adverso. É média: picos altos podem ser compensados por períodos baixos, dentro dos limites do STEL.
TLV-STELLimite de Exposição de Curta Duração
Concentração média de 15 minutos que não pode ser excedida em nenhum momento, mesmo que a média de 8 horas esteja dentro do TLV-TWA. Exposições nessa faixa não podem passar de 15 minutos, repetir-se mais de quatro vezes ao dia, nem ocorrer com menos de 60 minutos de intervalo.
L.P.O.Limite de Percepção Olfativa
Menor concentração da substância no ar detectável pelo odor. Varia muito de pessoa para pessoa e não serve como alarme: várias substâncias tóxicas causam fadiga olfativa, e o cheiro desaparece antes do perigo.
P.P.Padrão de Potabilidade
Concentração máxima admitida na água destinada ao consumo humano.
O guia da CETESB (2003) remete à Portaria MS 1469/2000, revogada. O padrão vigente está na Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, anexo XX, com a redação dada pela Portaria GM/MS 888/2021 — confira o valor na norma atual antes de usar.

Toxicidade experimental

CL50Concentração Letal 50
Concentração de um agente no ar que mata metade da população exposta em um tempo definido. Nas fichas, a via é respiratória, em rato ou camundongo. Quanto MENOR o valor, mais tóxica a substância.
DL50Dose Letal 50
Dose que mata metade da população animal exposta, por qualquer via exceto inalação. Nas fichas, via oral em rato ou camundongo, em mg/kg de peso corpóreo. Quanto MENOR o valor, mais tóxica.
CLLoConcentração Letal mínima publicada
Menor concentração da substância no ar registrada como causadora de efeito tóxico no homem, ou de efeito cancerígeno ou reprodutivo em animais, num dado tempo de exposição.
MDTMenor Dose Tóxica publicada
Menor dose registrada na literatura como capaz de produzir efeito tóxico. Não é limite de segurança: é o menor valor já observado.
MCTMenor Concentração Tóxica publicada
Equivalente da MDT para concentração no ar.

Ecotoxicidade e ambiente

TLmLimite Médio de Tolerância (96 h)
Concentração em que cerca de metade dos organismos aquáticos testados apresenta comportamento anormal — inclusive morte — em 96 horas. O ensaio pode ser estático ou de fluxo contínuo, e isso muda o resultado.
CE50Concentração Efetiva 50
Concentração que, por inalação e em condições definidas, afeta metade do grupo em teste. Sempre acompanhada da duração da exposição.
EC50Limite de Concentração de Crescimento Médio
Dose capaz de reduzir em 50% a população dos organismos testados.
MEC50Concentração Mínima Efetiva 50
Menor concentração capaz de imobilizar metade dos organismos testados.
DI50Dose Inibitória 50
Dose capaz de provocar alteração ou lesão celular em metade dos organismos testados.
R.M.Razão de Mutagenicidade
Relação entre as células que sofreram mutação transmissível à geração seguinte e as células vivas originais.
L.ToxLimite de Toxicidade (Teste de Inibição da Multiplicação Celular)
Concentração na qual, e abaixo da qual, os organismos não sofrem efeito nocivo. Medido em algas microscópicas, bactérias e protozoários.
DBODemanda Bioquímica de Oxigênio
Oxigênio dissolvido consumido pela oxidação biológica da substância na água, em um tempo dado. DBO alta significa que o produto sufoca o corpo d'água ao se degradar, mesmo sem ser tóxico.
Degradabilidade
Suscetibilidade do produto orgânico a se transformar em compostos intermediários ou se converter em sais minerais, biomassa e CO₂. A biodegradação é o mecanismo mais relevante e define quanto tempo a substância persiste no ecossistema.
Os dados de biodegradação nas fichas vêm de uma única bibliografia e não valem como atestado de biodegradabilidade do produto.
Potencial de concentração na cadeia alimentar
Indicação de quanto a substância pode se acumular em plantas marinhas, peixes e outros animais, e daí subir a cadeia alimentar até o homem.

Fogo e inflamabilidade

Ponto de fulgor
Menor temperatura em que o líquido desprende vapor suficiente para que a mistura vapor-ar acima da superfície propague uma chama a partir de uma fonte de ignição. Nessa temperatura a combustão ainda NÃO se sustenta — ela só começa.
Temperatura de ignição
Menor temperatura em que o produto queima sem chama nem faísca por perto. Também chamada de temperatura de autoignição.
Limites de inflamabilidade
Concentrações de vapor no ar entre as quais a chama se propaga. Abaixo do limite inferior a mistura é pobre demais; acima do superior, rica demais. Em porcentagem de volume — 1% equivale a 10.000 ppm.
Taxa de queima
Velocidade com que a profundidade de uma poça do líquido diminui enquanto ele queima, em milímetros por minuto.
Taxa de evaporação (éter = 1)
Tempo de evaporação relativo ao do éter etílico. Quanto MAIOR o número, mais LENTA a evaporação: benzeno 2,8 significa 2,8 vezes mais lento que o éter.

Propriedades físico-químicas

Densidade relativa do vapor
Peso do vapor comparado ao de igual volume de ar seco, nas mesmas condições. Acima de 1, o vapor tende a se acumular no chão, em valas e galerias — que é onde a nuvem encontra a fonte de ignição.
Densidade relativa do líquido ou sólido
Peso do produto comparado ao de igual volume de água a 20 °C. Abaixo de 1 ele flutua; acima, afunda — o que decide a tática de contenção num corpo d'água.
Pressão de vapor
Pressão do vapor em equilíbrio com o líquido a uma temperatura dada. Quanto maior, mais rápido o produto forma atmosfera perigosa.
Solubilidade na água
Quantidade do produto que se dissolve em 100 partes de água pura. 'Miscível' é mistura em qualquer proporção; 'reage' significa que a solubilidade não tem valor real porque há reação química.
pH
Logaritmo negativo da concentração de íons hidrogênio, de 0 a 14. Abaixo de 7 é ácido, acima é alcalino, 7 é neutro.
Potencial de ionização
Energia necessária para arrancar o elétron mais externo da molécula, específica de cada produto. É o número que decide se um detector de fotoionização (PID) enxerga a substância: se o potencial for maior que a energia da lâmpada, o aparelho não acusa nada — e o zero na tela não significa ar limpo.
Viscosidade
Resistência do fluido ao escoamento, em centipoise (cP), a 25 °C. Quanto maior, menor a fluidez. Cai rapidamente com o aumento da temperatura.
Calor de combustão
Calor liberado na queima de uma quantidade do produto em oxigênio a 25 °C. O sinal negativo indica calor liberado.
Calor latente de vaporização
Calor que precisa ser fornecido ao produto para que ele passe a vapor, na temperatura de ebulição e a 1 atm.

Transporte e identificação

Número ONU
Número de quatro algarismos que identifica a substância ou o grupo de substâncias no transporte. É a chave de tudo: a partir dele se chega ao guia de emergência, ao rótulo e às distâncias de isolamento.
Número de risco
Número de dois ou três algarismos na metade de cima do painel de segurança, que descreve o perigo. X na frente significa que o produto reage perigosamente com água.
Rótulo de risco
Losango com símbolo e cor da classe de perigo, afixado no volume e no veículo.

Como ler a ficha

Não pertinente / dado não disponível / não estabelecido
As três formas de ausência nas fichas, e elas não são sinônimas. 'Não pertinente': o dado não faz sentido para aquele produto (ponto de fulgor de material não inflamável). 'Dado não disponível': não foi encontrado na bibliografia consultada. 'Não estabelecido': não existe valor fixado, como um padrão de potabilidade que a norma não define.

Fonte

Os conceitos vêm do Manual de Produtos Químicos — Guia Técnico (CETESB — Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, revisão 2003) e das normas que ele cita. Definições REDIGIDAS a partir do guia técnico e das normas que ele cita — não são transcrição do documento. Onde a norma citada pelo guia foi revogada, a ressalva aparece no próprio verbete.

Onde estas grandezas aparecem na prática: a ficha de cada substância, o painel de segurança e a coleta de amostra.

Abrir o guia técnico da CETESB (PDF)