Manejo médico · CHEMM
Material para profissionais de saúde e de resposta a emergências.
Tradução referenciada das diretrizes públicas do CHEMM (Chemical Hazards Emergency Medical Management, HHS/ASPR — governo dos EUA). Não é diagnóstico nem prescrição deste portal; doses e nomes de fármacos permanecem como na fonte original, com o link ao lado — confira sempre no original antes de qualquer conduta. As recomendações da fonte não se destinam a uso médico-legal.
Tradução não oficial, feita por este portal e sem endosso, revisão ou vínculo do HHS/ASPR nem do governo dos EUA. O material de origem é de domínio público; a responsabilidade por esta versão em português é do Produtos Perigosos.
☎ 0800 722 6001 — Disque-Intoxicação (CIATox, 24h)Traduzido de Primary Survey and Secondary Survey ↗ (CHEMM, HHS/ASPR — domínio público), fonte capturada em 2026-08-30. Em caso de dúvida, vale o original.
Avaliação primária e avaliação secundária
- Avaliação inicial (avaliação primária)
- História dirigida e exame físico (avaliação secundária)
Avaliação inicial (avaliação primária)
Avaliação inicial. A avaliação inicial é feita para ajudar o socorrista a detectar todas as ameaças imediatas à vida. As ameaças imediatas envolvem tipicamente o ABC do paciente, e cada uma é corrigida assim que é encontrada.
A avaliação inicial tem seis componentes;
- Forme uma impressão geral do paciente — a impressão geral ajuda a decidir a gravidade do quadro pelo nível de desconforto e pelo estado mental
- Avalie o estado mental do paciente — de início isso pode significar apenas determinar se ele está responsivo ou não. Classifique pela escala AVPU. A — Alerta: o paciente alerta está acordado, responsivo, orientado e conversando com você
- V — Verbal: é o paciente que parece não responsivo a princípio, mas responde a um estímulo verbal forte. Verbal não significa que ele responda perguntas ou inicie conversa; pode falar, grunhir, gemer ou apenas olhar para você
- P — Dor (Painful): se não responde ao estímulo verbal, pode responder ao estímulo doloroso, como fricção no esterno ou beliscão suave no ombro
- U — Não responsivo: quando não responde nem ao estímulo doloroso nem ao verbal
- Avalie a via aérea — está pérvia? Se o paciente não está responsivo, estabilize cabeça e pescoço e use a manobra de tração da mandíbula para manter a via aérea aberta. Se não houver suspeita de lesão de coluna, use a manobra de inclinação da cabeça com elevação do queixo.
- Avalie a respiração — está adequada? Com a via aérea aberta, aproxime o ouvido do nariz e da boca do paciente e observe o movimento do tórax, notando simetria ou assimetria. Escute e sinta a saída de ar. Escute a qualidade dos sons respiratórios. Respirações esporádicas são chamadas agônicas e ocorrem pouco antes da morte.
- Avalie a circulação (pulso e sangramento) — o pulso é adequado? Há sangramento importante? O paciente perdeu grande quantidade de sangue antes da sua chegada? Se não estiver respirando, cheque o pulso no pescoço (carotídeo).
- Se estiver respirando, você pode checar o pulso carotídeo ou o do punho (radial)
- Se houver pulso carotídeo mas o radial estiver ausente, isso pode indicar choque. Pulso rápido ou fino também pode indicar choque.
- Embora qualquer sangramento não controlado possa se tornar ameaçador à vida, na avaliação inicial interessa o sangramento profuso
- Sangue vermelho-vivo e em jato pode vir de uma artéria
- Sangue escuro e escorrendo tipicamente é de origem venosa
- O que importa é o total de sangue perdido, não apenas a rapidez do sangramento.
- A avaliação da circulação inclui também os sinais de pele — cor, temperatura e umidade. Achados anormais, como pele pálida, fria e úmida, podem indicar choque
- Decida a prioridade ou a urgência do transporte do paciente. Consideração especial para lactentes e crianças: abrir a via aérea do lactente exige levar a cabeça à posição neutra, e não inclinar para trás como no adulto. Na criança, basta leve extensão.
- As frequências respiratória e de pulso são mais altas em lactentes que em adultos. No lactente e na criança pequena, cheque o pulso braquial
- Outra parte da avaliação circulatória do lactente e da criança é o tempo de enchimento capilar. Ao pressionar levemente a ponta da unha da criança, ela fica branca pela restrição do fluxo. Ao soltar, volta a ficar rosada, em geral em menos de dois segundos. Se demorar mais de dois segundos, ou se não voltar a ficar rosada, pode haver problema circulatório, como choque ou perda sanguínea importante. No adulto, o choque em geral piora aos poucos e a tendência é percebida a tempo. O corpo do lactente ou da criança, porém, compensa tão bem uma perda de sangue que ele pode parecer estável por um tempo e, de repente, piorar muito. A criança consegue manter a pressão arterial até perder quase metade do volume sanguíneo. Portanto, pressão arterial normal não afasta choque. O tempo de enchimento capilar prolongado pode ser indicador mais confiável de comprometimento circulatório.
História dirigida e exame físico (avaliação secundária)
A história dirigida e o exame físico devem ser feitos após a avaliação inicial. Presume-se que os problemas ameaçadores à vida já foram encontrados e corrigidos. Se o paciente tiver um problema ameaçador à vida que exija intervenção (por exemplo, RCP), pode ser que você não chegue a esta etapa. O objetivo principal da história dirigida e do exame físico é descobrir e cuidar das lesões ou dos problemas médicos específicos do paciente.
História dirigida e exame físico. Inclui um exame físico focado em uma lesão ou queixa médica específica, ou pode ser um exame rápido do corpo inteiro. Inclui também obter a história do paciente e os sinais vitais.
História do paciente — inclui qualquer informação relacionada à queixa ou condição atual, bem como problemas médicos passados que possam ter relação. Recorra a transeuntes/familiares... quando necessário.
Acrônimo para obter a história do paciente
Avaliação rápida — exame da cabeça aos pés, rápido e menos detalhado, para os pacientes mais críticos.
Avaliação dirigida — exame feito em pacientes estáveis. Foca uma lesão ou queixa médica específica.
Sinais vitais — incluem pulso, respiração, sinais de pele, pupilas e pressão arterial. Pode incluir o registro da saturação de oxigênio (muito útil quando se lida com exposição a agente químico).
Pulso — avalie frequência, ritmo e amplitude.
Respiração — avalie frequência, profundidade, ruído e facilidade de respirar.
Sinais de pele — avalie cor, temperatura e umidade.
Pupilas — verifique tamanho, simetria e reação à luz. Pupilas contraídas em evento com múltiplas vítimas sugerem fortemente toxicidade por agente nervoso/organofosforado.
Sinais vitais por faixa etária
| Idade | Pressão arterial | Pulso | Frequência respiratória |
| Recém-nascido a termo (3 kg)dose/fármaco conforme a fonte ↗ | |||
| Age 12 hours (12 horas de vida) | 50-70 / 25-45 | 80-200 | 40-60dose/fármaco conforme a fonte ↗ |
| Age 96 hours (96 horas de vida) | 60-90 / 20-60dose/fármaco conforme a fonte ↗ | ||
| Age 7 days (7 dias de vida) | 74 +/- 22 mmHg (PA sistólica)dose/fármaco conforme a fonte ↗ | ||
| Age 42 days (42 dias de vida) | 96 +/- 20 mmHg (PA sistólica)dose/fármaco conforme a fonte ↗ | ||
| Lactente (6 months old / 6 meses) | 87-105 / 53-66 | 80-180dose/fármaco conforme a fonte ↗ | |
| Criança pequena (2 years old / 2 anos) | 95-105/53-66 | 80-180 | 24dose/fármaco conforme a fonte ↗ |
| Idade escolar (7 years old / 7 anos) | 97-112/57-71 | 60-160dose/fármaco conforme a fonte ↗ | |
| Adolescente (15 years old / 15 anos) | 112-128/66-80 | 60-160 | 12dose/fármaco conforme a fonte ↗ |
Exame da cabeça aos pés do paciente de trauma com mecanismo de lesão significativo — o exame físico do paciente não deve levar mais que two to three minutes (dois a três minutos).
Pescoço — examine o paciente quanto a dor à palpação ou deformidade da coluna cervical. Qualquer dor ou deformidade deve indicar possível lesão de coluna. Se a coluna cervical ainda não estiver imobilizada, imobilize agora, antes de seguir com o resto do exame. Verifique se o paciente respira por traqueostoma e procure desvio de traqueia.
Cabeça — examine o couro cabeludo em busca de cortes, hematomas, edemas e outros sinais de lesão. Examine o crânio quanto a deformidades, afundamentos e outros sinais de lesão. Inspecione pálpebras e olhos em busca de objetos empalados ou outra lesão. Determine tamanho, simetria e reação pupilar à luz. Observe a cor da superfície interna das pálpebras. Procure sangue, líquido claro ou líquido sanguinolento no nariz e nos ouvidos. Examine a boca em busca de obstrução de via aérea, sangue e odores estranhos.
Tórax — examine o tórax em busca de cortes, hematomas, perfurações e objetos empalados. Verifique se há fraturas. Observe os movimentos do tórax e procure expansão simétrica.
Abdome — examine o abdome em busca de cortes, hematomas, perfurações e objetos empalados. Palpe o abdome procurando dor. Pressione suavemente com a face palmar dos dedos, observando áreas rígidas, distendidas ou dolorosas. Note se a dor é localizada ou generalizada. Examine por quadrantes e registre qualquer problema em quadrante específico.
Região lombar — palpe procurando dor localizada, deformidade e outros sinais de lesão.
Pelve — palpe a pelve em busca de lesões e possíveis fraturas. Depois de examinar a região lombar, deslize as mãos da lombar até as asas laterais da pelve. Pressione para dentro e para baixo ao mesmo tempo, observando a presença de dor e/ou deformidade.
Região genital — procure umidade causada por incontinência ou sangramento, ou objetos empalados. Em pacientes do sexo masculino, verifique priapismo (ereção persistente do pênis). É indicação importante de lesão medular.
Membros inferiores — examine em busca de deformidades, edemas, sangramentos, alterações de cor, protrusões ósseas e fraturas evidentes. Verifique o pulso distal. O mais útil é o pulso tibial posterior, palpado atrás do maléolo medial. Se o paciente estiver de botas e houver indícios de lesão por esmagamento, não as retire. Verifique função motora e sensibilidade dos pés.
Membros superiores — examine em busca de deformidades, edemas, sangramentos, alterações de cor, protrusões ósseas e fraturas evidentes. Verifique o pulso radial (punho). Em crianças, verifique o enchimento capilar. Verifique função motora e força.
Exame físico rápido — paciente clínico não responsivo
O exame físico rápido do paciente clínico não responsivo é quase igual à avaliação rápida de trauma do paciente com mecanismo de lesão significativo. Você vai avaliar rapidamente cabeça, pescoço, tórax, abdome, pelve, membros e superfície corporal.
Exame físico dirigido — paciente clínico responsivo
O exame físico dirigido do paciente clínico responsivo costuma ser breve. A informação mais importante vem da história do paciente e da aferição dos sinais vitais. Concentre o exame na parte do corpo de que o paciente se queixa.
Em situação com múltiplas vítimas, dê atenção especial aos seguintes sinais e sintomas;
Cabeça
- Há cefaleia?
- As pupilas estão puntiformes, dilatadas ou assimétricas?
- As conjuntivas estão hiperemiadas ou com secreção?
- O paciente queixa dor ocular, fotofobia ou visão borrada?
- Há salivação, sialorreia e/ou rinorreia?
- Há batimento de asa de nariz?
- Observe a cor da pele — o paciente está cianótico?
- Observe o cheiro do hálito do paciente
- A garganta do paciente está dolorida, hiperemiada?
Pescoço
- Há estridor?
- A musculatura do pescoço está "puxando"?
Tórax/pulmões
- Observe se há aumento do trabalho respiratório — retrações, aumento da frequência
- Observe se há estridor
- Observe se há sibilos, roncos, estertores, redução dos sons respiratórios
- Observe se há cianose central
- O paciente queixa queimação no peito ou dor torácica?
Coração/circulação
- Observe se há ritmo cardíaco irregular, rápido ou lento
- Observe se há pulso periférico diminuído ou ausente
- Observe se há enchimento capilar prolongado na criança
- Observe a cor e a temperatura das extremidades distais
Abdome
- O abdome está doloroso, tenso, distendido ou rígido?
- O paciente tem cólica, vômito ou diarreia?
Pelve
- Verifique se há incontinência urinária ou fecal
Neurológico
- Qual é o estado mental do paciente? Ele está convulsionando?
- O paciente está tonto?
- Houve síncope?
- Houve colapso súbito?
- Há contrações musculares?
Pele
- A pele está dolorida, ardendo, dormente ou formigando?
- A pele está eritematosa?
- Há vesículas ou bolhas?
- Há necrose?