Manejo médico · CHEMM
Material para profissionais de saúde e de resposta a emergências.
Tradução referenciada das diretrizes públicas do CHEMM (Chemical Hazards Emergency Medical Management, HHS/ASPR — governo dos EUA). Não é diagnóstico nem prescrição deste portal; doses e nomes de fármacos permanecem como na fonte original, com o link ao lado — confira sempre no original antes de qualquer conduta. As recomendações da fonte não se destinam a uso médico-legal.
Tradução não oficial, feita por este portal e sem endosso, revisão ou vínculo do HHS/ASPR nem do governo dos EUA. O material de origem é de domínio público; a responsabilidade por esta versão em português é do Produtos Perigosos.
☎ 0800 722 6001 — Disque-Intoxicação (CIATox, 24h)Traduzido de Management of the Deceased ↗ (CHEMM, HHS/ASPR — domínio público), fonte capturada em 2026-08-25. Em caso de dúvida, vale o original.
Manejo dos mortos
- Notificação
- Avaliação e planejamento específico do incidente
- Recuperação dos corpos
- Manejo de corpos quimicamente contaminados
- Operação do necrotério de retaguarda
- Montagem de um depósito de pertences pessoais
- Montagem de um centro de atendimento às famílias
- Nível 1: transporte e armazenamento temporário até o necrotério
- Operação do necrotério
- Nível 2: transporte e armazenamento temporário a partir do necrotério
- Destinação final
Notificação
- O médico-legista/coroner (ME/C) precisa notificar ou ser notificado de qualquer evento de exposição química ou biológica em massa. O ME/C precisa conseguir identificar o comandante do incidente (IC) e o nível de envolvimento de outros órgãos, para que a magnitude do incidente possa ser dimensionada;
- Reúna o máximo de informação possível sobre o incidente e sobre a gestão geral dele;
- Veja a hierarquia de gestão abaixo. Isso ajuda a saber quem notificar e em que nível.
Avaliação e planejamento específico do incidente
- Monte uma equipe de avaliação, que pode trabalhar junto com outros órgãos se o incidente for crime ou acidente, ou se ultrapassar uma jurisdição. Monte uma equipe multidisciplinar para avaliar o incidente específico, incluindo pessoal de investigação de óbito, polícia, equipe de produtos perigosos (HazMat) e quaisquer outros órgãos relevantes.
- Verifique o nível necessário de equipamento de proteção individual (EPI)
- Determine fatores complicadores (por exemplo, fragmentação, escavação difícil)
- Faça as primeiras fotografias do local
- Determine o número aproximado de corpos e sua localização
- Identifique a localização dos casos atípicos
- Os membros da equipe de avaliação devem ser escolhidos segundo a missão geral de coletar evidências e determinar a causa e a circunstância da morte das vítimas.
- É papel primordial do ME/C determinar a melhor abordagem para o manejo dos corpos.
Recuperação dos corpos
- A recuperação dos corpos envolve rastrear e transferir os corpos para o necrotério do incidente ou de retaguarda.
- Inclui também fotografar os corpos no local em que foram encontrados, determinar se outros corpos exigem autópsia e separar os corpos destinados a autópsia daqueles que precisam apenas de exame externo.
- Além disso, a recuperação dos corpos implica mantê-los fora da vista do público.
Manejo de corpos quimicamente contaminados
- Todos os que interagem com os corpos precisam estar com equipamento de proteção individual (EPI) adequado à natureza do agente.
- Todos os corpos devem passar por descontaminação detalhada antes de qualquer procedimento extenso de necrotério.
- A descontaminação envolve escovar e limpar completamente todos os orifícios corporais.
- Dependendo do tipo de produto químico e do nível de contaminação, e se os corpos estiverem fragmentados ou com orifícios abertos, pode ser necessário descontaminá-los algumas vezes até a contaminação ser mitigada.
- Em alguns casos, pode não ser possível descontaminar o corpo por completo. Para mais informação, veja Mass Fatality Management for Incidents Involving Weapons of Mass Destruction (PDF - 1.61 MB) (U.S. Army Research Development and Engineering Command, Military Improved Response Program, and Department of Justice, August 2005)
Operação do necrotério de retaguarda
- Quando os corpos são recuperados, a equipe geralmente faz uma avaliação física inicial na cena e depois os transfere ao necrotério, onde se faz avaliação mais extensa ou autópsia.
- Em algumas circunstâncias, pode ser necessário coletar evidências e retirar e rastrear pertences pessoais antes de os corpos serem transferidos para autópsia ou identificação.
- O tipo de desastre determina a extensão da operação do necrotério de retaguarda/do incidente.
Montagem de um depósito de pertences pessoais
- Em incidente com múltiplas fatalidades, a morte costuma ser súbita, inesperada e violenta. Pela tragédia e pelo caráter inesperado do desastre, os objetos pessoais ganham mais significado para as famílias (Jensen, 2000).
- Na maioria das vezes os corpos não são visualizáveis e, em alguns casos, muito poucos fragmentos são recuperados — e, portanto, muito poucos pertences pessoais podem ser devolvidos às famílias.
- Monte uma equipe para gerir os pertences pessoais do incidente. Essa equipe vai buscar e recuperar os pertences, montar um depósito, tentar associar cada pertence a pessoas com direito a recebê-lo e, em alguns casos, descontaminar os pertences.
- Para mais informação: "Mass Fatality and Casualty Incidents: A Field Guide", de Robert Jensen, 2000, traz mais informação sobre a montagem de um depósito de pertences pessoais.
Montagem de um centro de atendimento às famílias
- Montar um centro de atendimento às famílias (FAC) logo no início do incidente demonstra ao público que existe alguma ordem, apesar das circunstâncias do desastre.
- O FAC oferece aos familiares um lugar para registrar seus entes como desaparecidos, esperar e se preparar para receber notícias difíceis, e fornecer dados para fins de identificação.
- Pode servir também de centro de apoio aos envolvidos na identificação/remoção/processamento dos corpos. Para mais informação sobre montar um centro de atendimento às famílias (FAC) ou um centro de acolhimento ao luto, leia o relatório "Providing Relief to Families After a Mass Fatality: Roles of the Medical Examiner's Office and the Family Assistance Center", do Office of Justice Programs do Departamento de Justiça e do Office for Victims of Crime, ou leia sobre o modelo de FAC usado pelo National Transportation Safety Board (NTSB), baseado nas exigências do Aviation Disaster Family Assistance Act of 1996.
- Outro recurso valioso para aconselhamento cultural: The Center for Trauma Recovery and Juvenile Justice (CTRJJ).
Nível 1: transporte e armazenamento temporário até o necrotério
- Para ampliar a capacidade, incorpore o uso de caminhões refrigerados como recurso alternativo, para acomodar casos que excedam a capacidade normal de transporte e armazenamento.
- Outra opção é resfriar uma área a 37°F (cerca de 3°C) com um condicionador de ar industrial.dose/fármaco conforme a fonte ↗
- Durante o transporte e o armazenamento, os corpos não devem ser empilhados, a menos que se usem estantes. Se forem usadas estantes, o pessoal não deve empilhar corpos acima da altura da cintura, para evitar lesão em quem os manipula.
- O plano de transporte e armazenamento deve minimizar o número de vezes em que os corpos são movidos.
- Além disso, corpos contaminados podem precisar ser embalados de forma específica para serem transportados com segurança de um local a outro.
Operação do necrotério
- Local: o ME/C precisa determinar se os corpos devem ser processados no prédio-sede ou em local externo/alternativo. Os locais alternativos devem ter: grande área de piso livre
- Energia elétrica (embora grandes geradores possam suprir essa necessidade)
- Abastecimento de água e contenção de efluentes
- Ventilação, ar-condicionado e aquecimento
- Drenagem e tanque de retenção de resíduo de serviço de saúde
- Instalações para a equipe (por exemplo, banheiros, área de descanso)
- Estações do necrotério: o ME/C precisa determinar que estações serão montadas como parte da operação do necrotério durante um desastre. Em geral, essas estações incluem: triagem
- Antropologia
- Odontologia
- Datiloscopia
- Fotografia
- Radiologia (pode ser preciso combinar com serviços locais de imagem — hospital ou outro)
- Patologia/toxicologia (incluindo espaço e recursos para autópsia, preparo e interpretação de amostras)
- Análise de DNA
- Evidências
- Pertences pessoais
- Recepção/admissão
- Retenção/auditoria de registros
- Liberação/auditoria final de registros
- Montagem da operação do necrotério: as publicações a seguir trazem mais informação — "Mass Fatality Incidents: A Planning Guide for Human Forensic Identification", do National Center for Forensic Science, sob o National Institute of Justice, Office of Justice Programs
- "Disaster Mortuary Operational Response Team Field Operations Guide", do National Disaster Medical System, Disaster Medical Operational Response Team (DMORT), sob o Department of Health and Human Services (HHS)
Nível 2: transporte e armazenamento temporário a partir do necrotério
- O transporte e o armazenamento temporário de nível 2 envolvem a liberação dos corpos.
- Quando os corpos vão ser devolvidos aos familiares, pode bastar montar uma área de espera para os diretores de funerária retirarem os corpos. Em alguns casos, pode ser possível manter os corpos nas funerárias até serem liberados, ampliando assim a capacidade de armazenamento.
- Nos casos em que a destinação final exige sepultamento custeado pelo Estado, a equipe precisa providenciar transporte e manuseio adicional dos corpos.
- Considere usar os mesmos ativos de transporte já usados antes, ou montar uma área de espera dentro do necrotério até que a destinação final seja definida.
- Apesar das condições em que os corpos são liberados, ainda pode ser necessário ampliar a capacidade de armazenamento do necrotério. A polícia e os órgãos de investigação podem pedir que alguns ou todos os corpos sejam retidos para coleta de evidências adicionais, ou que a equipe guarde partes não identificáveis até que uma cerimônia seja organizada.
Destinação final
- As opções de destinação final incluem sepultamento individual, sepultamento individual custeado pelo Estado, tumulação, sepultamento coletivo, cremação voluntária e cremação involuntária.
- Em geral, restos humanos não podem ser destinados conforme a escolha do Estado; as leis estaduais exigem que os corpos sejam entregues aos familiares quando solicitados. A exceção é a existência de risco à saúde pública, caso em que o governador pode emitir uma declaração de emergência que afasta a lei vigente, o que pode mudar a forma de conduzir a destinação final. Informação sobre considerações culturais/religiosas em funerais pode ser encontrada aqui: Funeral Consumers Alliance; e Culturally Competent Crisis Response.
Referências
- Robert Andrew Jensen. 2000. Mass Fatality and Casualty Incidents: A Field Guide. Boca Raton, FL: CRC Press.no original (inglês)
- Mass Fatality Management for Incidents Involving Weapons of Mass Destruction (PDF - 1.61 MB) (DOD, 2005)no original (inglês)
- Disaster Mortuary Operational Response Teams (DMORTs, HHS/ASPR)no original (inglês)
- Management of Dead Bodies after Disasters: a Field Manual for First Responders (About mass casualty situations) (PDF - 2.65 Mb) (IRIS, PAHO, 2016)no original (inglês)
- Mortuary Affairs in Joint Operations, Joint Publication 4-06 (PDF - 2.47 MB) (DOD, 2006)no original (inglês)
- Hanzlick R, Nolte K, deJong J; National Association of Medical Examiners Bioterrorism and Infectious Disease Committee. Medical Examiner/Coroner´s Guide for Contaminated Deceased Body Management Am J Forensic Med Pathol. 2009 Dec;30(4):327-38. [PubMed Citation]no original (inglês)
- National Association of Medical Examiners Standard Operating Procedures for Mass Fatality Management (PDF - 884 KB) (National Association of Medical Examiners, 2010)no original (inglês)
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