Quem cuida do quê
A espinha dorsal é o SIPRON (Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro) — criado em 1980 e hoje coordenado pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência), por força da Lei 14.600/2023.
Desde a Lei 14.222/2021, os papéis se dividiram: a ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) regula, licencia e fiscaliza; a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) mantém pesquisa e coordena a resposta técnica — incluindo o plantão 24 horas da DIEME (Divisão de Atendimento a Emergências Radiológicas): (21) 98368-0763 (plantonista) e (21) 98368-0734 (chefe), todos os dias, inclusive fins de semana e feriados (canais oficiais publicados em gov.br/ansn e gov.br/cnen). Na ponta, como em todo acidente, chegam primeiro bombeiros e defesa civil — o elo com o QBRN e o restante da cadeia de resposta.
A escala INES: o Richter do átomo
A INES (Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos), da AIEA, vai de 1 a 7 — cada nível é cerca de 10 vezes mais grave que o anterior: 1 anomalia · 2 incidente · 3 incidente grave · 4 acidente confinado à instalação · 5 acidente com risco fora do local · 6 acidente sério · 7 acidente grave.
Referências que todo mundo conhece: Goiânia 1987 = nível 5 (o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina); Chernobyl 1986 e Fukushima 2011 = nível 7.
Angra: o único plano nuclear de evacuação do país
Em torno das usinas de Angra dos Reis funciona o Plano de Emergência Externo, com Zonas de Planejamento de Emergência de 3, 5, 10 e 15 km ao longo da BR-101. As sirenes são testadas todo dia 10, às 10h, e o exercício geral bienal mais recente (setembro–outubro/2025) mobilizou cerca de 60 instituições — com estreia do alerta por celular (cell broadcast) do sistema Defesa Civil Alerta.
Dentro da instalação, coordena a Eletronuclear; fora, a Defesa Civil do RJ — com ANSN, CNEN, polícias, bombeiros e o SIPRON por cima. É o retrato do que o P2R2 gostaria de ser no mundo químico: plano vivo, sirene testada, simulado em calendário.
Fontes órfãs: o risco que anda de caminhão
A lição de Goiânia — uma cápsula de radioterapia abandonada, 4 mortes e 110 mil pessoas monitoradas — continua atual: em 2023 um densímetro com césio-137 sumiu e foi recuperado em Minas; em 2024, blindagens radioativas hospitalares foram levadas num roubo de veículo em São Paulo (recuperadas intactas); em junho de 2026, uma cápsula de césio-137 furtada em Rosário, na Argentina, seguia sem paradeiro.
Por isso o transporte de material radioativo — classe 7 do sistema ONU — tem norma própria da CNEN: a NN 5.01 (transporte seguro, controle origem–destino) e a NN 5.04 (rastreamento veicular obrigatório). Fonte radioativa sem custódia é o insumo da "bomba suja" — o controle do ciclo de vida é a prevenção que importa.
Diante da suspeita: tempo, distância, blindagem
O princípio oficial de radioproteção cabe em três palavras: menos tempo perto da fonte, mais distância dela, e blindagem entre você e ela. Radiação não tem cheiro, cor nem dor imediata — o trifólio no rótulo, a placa de classe 7 ou o contexto (equipamento médico/industrial abandonado) são os únicos avisos.
Para o primeiro no local: não toque, afaste as pessoas, e acione os bombeiros (193) e o plantão 24h da DIEME (Divisão de Atendimento a Emergências Radiológicas) da CNEN: (21) 98368-0763 (plantonista) e (21) 98368-0734 (chefe). A identificação pela placa e pelo número ONU está na Emergência PP — e a ficha da substância, na Biblioteca. O marco normativo completo, no Acervo de Legislação.